nevver:

How to bend light, Mona Kuhn

(Source: monakuhn.com)

"There is a place in the heart that will never be filled and we will wait and wait in that space."

Charles Bukowski (via thatlitsite)

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No one ever suffers but you.

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No one ever suffers but you.

calms:

dimmer:

paranoid:

❀vintage❀

● vintage & indie blog ●

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vintage

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(Source: wukay, via reblogalert)

(Source: vonmunsterr, via kilgore-doubt)

meus olhos durante as aparições (ou: irrealidades)

por muito tempo eu quis voltar a escrever, mas as únicas palavras que de mim vertiam eram de ataque, de puro ressentimento. percorria-me um assombro de ver escurecer em mim a capacidade de inventar belos adjetivos e metáforas poéticas para essa história. escrever e ver formarem-se palavras sem doçura era como ver um fantasma segurar-me a mão e obrigar-me a me despir e encarar os dentros. mergulhei então na tentativa de entender, todos os dias, todo esse ressentimento. a secura e o pesadelo que tinham se tornado meus dias sem você.

inventar (aparições, irrealidades)

devo confessar que, agora, olhando pra trás como que assistindo um sol se pondo em algum lugar muito distante, mas ao mesmo tempo muito próximo, como que uma estrada que se percorre mas nunca se finda, como num deserto dentro de um coração encolhido em sua própria saudade, percebo que tinha eu a imaginação de uma criança. certo, não tão inocente assim. talvez o que eu tinha mais de criança fosse a imaturidade de alguém que se recusa a distinguir o mundo que é do mundo que se quer. no meu mundo de faz de conta, os dois lados se fundiam e, como numa alucinação constante, meu mundo para mim era, obviamente, muito real e intenso. não para o resto das pessoas. eu me deitava em minha cama e amaldiçoava esse mundo tão chamado “real” que se afastava do alcance das minhas mãos gradualmente e essas pessoas tão incapazes de enxergar aquilo que só eu enxergava. daquilo que só eu enxergava cansei de escrever, gritar, tentar explicar e fugir.

aos poucos me acostumei com a ideia de viver num mundo de faz de conta, onde pelo menos eu pretendia ter controle sobre os meus sentimentos e sobre o rumo das coisas por vir. pelo menos assim eu não me machucava. no meu mundo, éramos como grandes desbravadores apenas esperando o momento certo para conquistar o mundo, dominá-lo por completo e esmagar qualquer oponente, com carinho. desbravadores, sim, porque amar um ao outro como tentamos já constitui em si uma luta.
o momento nunca chegou, é claro, e eu adentrei cada vez mais perdidamente esse meu mundo, habitado (habitado?) também por você até certo ponto e, portanto, seu também.
quando você foi embora, eu fiquei com muita raiva. eu me senti então como uma criança que, findada a festa, vê-se obrigada a arrumar a bagunça toda sozinha.
foi só quando eu te vi de novo no mundo lá fora, pela mesma janela que um dia eu vi você transformar a tempestade em um céu limpo, que desejei acordar também. lá estava você. você lutava e se debatia tanto para se ver livre das correntes que os meus jogos mentais lhe impunham que vi que se você queria tanto ir embora, eu deveria apenas o deixar ir.

hoje, eu até abriria a porta pra você partir. eu seguraria a porta pra te ver sair.
fui embora também. e hoje posso dizer: é bom me ver fora daquelas correntes que me prendiam ao árduo mundo das expectativas.
irrealidades.
por enquanto, não posso mentir: ainda vejo muito desse mundo em tons de cinza. talvez seja uma tempestade se aproximando. e sinto falta da companhia dos meus sonhos liláses. e anseio pelas noites em que eu possa voltar a eles sem ser reprimida (por mim mesma).

mas a sua ausência, como a de outros, me traz a coragem de olhar para o espelho todos os dias e sorrir por me ver livre, enfim.

sem você, eu fiquei tão triste, por tanto tempo. mas foi apenas depois do seu domínio que eu consegui me desenvolver